Livramento

Audiência sobre morte de Brenno Caldas reúne 12 horas de depoimentos em Livramento de Nossa Senhora

Fotos: Divulgação

A primeira audiência de instrução do processo que investiga a morte de Brenno Caldas Teixeira, de 24 anos, movimentou o Fórum da Comarca de Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste da Bahia, na terça-feira, 3 de março. A sessão começou às 9h e se estendeu por cerca de 12 horas, com a oitiva de testemunhas de acusação. O caso apura o homicídio de Brenno, ocorrido em julho de 2025, e envolve quatro réus apontados como participantes do crime. A ação penal tramita sob o número 8002009-33.2025.8.05.0153 e é conduzida pelo juiz do Tribunal do Júri, João Lemos. A família da vítima acompanha o processo por meio do assistente de acusação, o advogado Adib Abdouni, habilitado nos autos para atuar ao lado da promotora de Justiça Ana Luiza Silveira de Oliveira, representante do Ministério Público. Mesmo após um dia inteiro de depoimentos, a fase de instrução não foi concluída. Novas audiências deverão ser realizadas para ouvir testemunhas que ainda não prestaram depoimento e para o interrogatório dos acusados. Somente após essas etapas o juiz decidirá se os réus serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Enquanto a audiência ocorria no interior do fórum, familiares, amigos e moradores da região realizaram uma manifestação pacífica em frente ao prédio pedindo justiça. A mobilização foi organizada pelo movimento “Para Sempre Brenno” e reuniu cerca de 160 pessoas, que acompanharam o andamento da sessão ao longo do dia. Durante os depoimentos, algumas declarações chamaram atenção por apresentarem diferenças em relação aos relatos prestados anteriormente à Polícia Civil. Em determinados momentos, versões apresentadas em juízo foram confrontadas com depoimentos registrados durante a fase de investigação. Um dos depoimentos que gerou questionamentos foi o do pai de um dos investigados apontado nas investigações como autor dos disparos que mataram Brenno.  Em audiência, ele afirmou não reconhecer a própria assinatura presente no termo de depoimento registrado durante o inquérito policial. Também prestou depoimento a esposa de um dos réus.

Em sua versão, ela relatou que Brenno chegou à residência e foi conduzido até um quarto da casa. Segundo o depoimento, no momento estavam no local ela, seu marido e Brenno, que teria sido atraído até o imóvel por outra pessoa. Posteriormente, um quarto envolvido no caso também teria entrado no cômodo. A testemunha afirmou que foi ela quem abriu a porta do quarto para a entrada de Brenno. De acordo com o relato apresentado em juízo, todos permaneceram conversando dentro do cômodo momentos antes dos disparos, ocasião em que um dos envolvidos teria sacado uma arma guardada em um móvel do quarto. Ela também declarou que a arma pertenceria ao seu marido. Durante o depoimento, porém, surgiram divergências sobre a arma utilizada no crime. Em um primeiro momento, a testemunha afirmou que o revólver estaria guardado em uma cômoda. Em seguida, declarou não ter visto o momento em que a arma teria sido retirada do móvel nem presenciado quando o suspeito teria se armado. Ela também relatou que, após os disparos, o marido teria conseguido desarmar o autor e ficado com a arma nas mãos. Segundo seu depoimento, ele teria se dirigido para a parte de trás da casa e, em seguida, alguém teria retirado o objeto de sua mão. Questionada sobre quem teria pegado a arma, afirmou não saber identificar a pessoa. Outro depoimento ouvido foi o de um funcionário que prestava serviços para um dos réus.

Ele afirmou que entrou em contato com o empregador para se orientar sobre o paradeiro da arma que posteriormente foi encontrada enterrada em um sítio. Segundo o relato, o contato teria sido feito após ele ser orientado a avisá-lo. Durante a oitiva, no entanto, apresentou mudanças na narrativa e afirmou não se lembrar de alguns detalhes. Durante a audiência também foi mencionado um episódio ocorrido dias antes do crime, durante uma cavalgada patrocinada pelo pai da vítima. Testemunhas relataram que, durante o evento, teria ocorrido um desentendimento envolvendo integrantes de um grupo ligado a um dos réus e pessoas próximas à família de Brenno. Segundo os relatos, bebidas teriam sido arremessadas na direção do pai da vítima. A testemunha ouvida em audiência negou que esse episódio tenha ocorrido, apesar de relatos mencionarem a existência de um vídeo que registraria a situação. De acordo com depoimentos apresentados em juízo, Brenno teria sido atraído até a residência dos pais da testemunha e conduzido até um quarto da casa. Testemunhas afirmaram ainda que ele teria dito que não queria conflitos e que pretendia resolver a situação, relatando que vinha tendo atitudes que classificou como “de moleque” e que não desejava continuar com desentendimentos. Outro ponto em discussão no processo envolve o uso de tornozeleira eletrônica pelos investigados. O Ministério Público pediu o restabelecimento da medida cautelar, questão que atualmente está sendo analisada em instâncias superiores, incluindo o Tribunal de Justiça da Bahia. Durante toda a audiência, familiares de Brenno permaneceram no fórum acompanhando os depoimentos. A família afirma aguardar o avanço do processo e a responsabilização de todos os envolvidos no caso.

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