
O movimento “UNEB no CEB”, que vem ganhando força em Brumado e repercussão em todo o estado da Bahia, ultrapassou os limites do ambiente acadêmico e ganhou espaço no plenário da Câmara Municipal. Durante a sessão legislativa da última segunda-feira (14), o tema foi alvo de críticas contundentes por parte de vereadores aliados ao prefeito Fabrício Abrantes (Avante), gerando um intenso embate político. Parlamentares da base governista questionaram a neutralidade política da mobilização estudantil. O vereador Vanderlei Bastos, o “Boca” (Avante), ironizou o caráter apartidário do movimento. “Um tal de movimento estudantil independente apareceu com vídeos indignados, discursos inflamados e uma narrativa de caos, tudo embalado no modo ‘não somos políticos, somos estudantes’. Mas aí o pano caiu e a verdade apareceu nos bastidores: reunião fechada com os quatro vereadores da oposição. Só eles e mais ninguém”, disparou. Na mesma linha, o vereador Reinaldo de Almeida Brito, o “Rey de Domingão” (Avante), classificou a articulação como “panelinha”. “Dizer que não é ato político depois de fechar reunião só com a oposição? Ninguém da base foi convidado. Eu descobri a reunião por uma foto! Isso é participação ou panelinha?”, questionou, levantando dúvidas sobre a abertura do movimento ao diálogo institucional. O vereador Boca ainda foi além, acusando o grupo de boicotar os representantes governistas. “Ninguém aqui é contra a educação, nem contra o povo. Mas vocês querem julgar os vereadores da base sem nem convidar pra reunião? Tem que aprender a ouvir também. Se a luta é legítima, que seja feita com todos à mesa, com diálogo de verdade e convite pra todos os lados”, defendeu. As declarações dos parlamentares provocaram reação imediata da comunidade acadêmica. Em nota de repúdio, estudantes e professores do Campus XX da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) classificaram como “lamentável” o comportamento dos vereadores. Segundo o documento, as críticas demonstram desconhecimento sobre a realidade enfrentada pelos estudantes e um “desrespeito à juventude que luta por melhores condições de ensino”. “Fica evidente que sua opinião parte de alguém que nunca pisou numa universidade, nunca sentiu na pele a precariedade que enfrentamos e, mais grave ainda, não tem nenhum compromisso com a educação pública e de qualidade”, diz o texto. A nota reforça ainda a legitimidade e a independência do movimento. “O movimento estudantil é histórico, plural e autônomo. Não cabe a políticos desinformados e demagogos quererem rotular uma mobilização legítima com o objetivo de esvaziá-la ou desmoralizá-la”, pontua o documento. Apesar da tentativa de descredibilização, os organizadores da mobilização afirmam que o movimento seguirá firme na defesa por estrutura digna e condições adequadas para o funcionamento do Campus da UNEB no CEB (Centro Educacional de Brumado). “E que fique claro: nossa luta não tem partido, mas tem lado — o lado da educação, da justiça social e do povo”, conclui a nota.




