
Os primeiros dez meses de governo do prefeito Fabrício Abrantes, em Brumado, têm sido marcados por uma sucessão de problemas administrativos e escândalos que colocam em xeque a escolha dos integrantes da atual equipe. Desde a posse, em 1º de janeiro, episódios de irregularidades, falhas na execução de programas públicos e denúncias de má gestão vêm ganhando destaque. Em julho, um servidor municipal foi afastado após ser apontado pela Polícia Civil como integrante de um esquema de furto e revenda de fios elétricos avaliados em cerca de R$ 200 mil. Conforme a investigação, aproximadamente 2 mil metros de cabos teriam sido desviados de um depósito público da Prefeitura. O material, segundo a polícia, era repassado diretamente a empresas privadas, entre elas uma agropecuária situada na Avenida Centenário. Outro episódio negativo ocorreu no início de outubro, quando o Governo Federal suspendeu a Operação Carro-Pipa em Brumado, após a administração municipal não cumprir exigências para o recadastramento dos pontos de distribuição de água. O setor responsável, vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, deixou de atualizar as informações necessárias mesmo após a publicação do Decreto nº 171/2025, que reconhecia a situação de emergência no município até novembro. O descumprimento das normas federais resultou na interrupção imediata do programa, prejudicando famílias que dependiam do abastecimento. Na área da educação, a gestão também enfrenta críticas e incidentes. No fim de outubro, uma funcionária da Escola Municipal Miguel Mirante, no Distrito do Arrecife, foi afastada após denúncias de que teria incentivado alunos a praticarem atos de agressão. A Prefeitura confirmou o caso, mas não detalhou as medidas adotadas. O afastamento, contudo, reforçou questionamentos sobre o processo de escolha de servidores. Ainda no setor educacional, em agosto, a presidente da APLB-Sindicato, Vanuza Lobo, utilizou a Tribuna Livre da Câmara de Vereadores para criticar duramente a atuação da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e do próprio prefeito. Segundo ela, a situação da pasta estaria ainda mais delicada do que na gestão anterior, contrariando as promessas de melhoria feitas por Abrantes durante a campanha. Problemas na iluminação pública também têm gerado insatisfação. Moradores relatam que algumas ruas permanecem sem lâmpadas há meses, obrigando residentes a instalar refletores por conta própria. Mesmo assim, a Taxa de Iluminação Pública (TIP) continua sendo cobrada nas contas de energia elétrica, sem qualquer ressarcimento aos contribuintes afetados. Na saúde, o cenário é descrito como caótico. O Hospital Municipal Professor Magalhães Neto tem registrado superlotação, obrigando pacientes a permanecerem em corredores. Há relatos de demora nos atendimentos, falta de especialistas e até casos em que pacientes voltaram para casa sem atendimento por erro de registro no sistema. Somam-se a esses episódios as irregularidades em processos licitatórios e a demora da Prefeitura em encaminhar as prestações de contas ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), que já teria notificado a administração em diversas ocasiões. Com uma série de falhas administrativas e casos de má gestão, os primeiros dez meses de Fabrício Abrantes à frente da Prefeitura de Brumado têm sido marcados por turbulências e cobranças crescentes da população e de órgãos de controle.




