
O ex-comandante do 24º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Élson Cristóvão Santos Pereira, foi denunciado por assédio sexual e moral por uma major e duas soldadas que atuavam na unidade. As denúncias foram formalizadas em novembro de 2024 e encaminhadas ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e à Corregedoria da Polícia Militar. Segundo depoimentos colhidos pela promotora Daniela de Almeida, os episódios de assédio teriam começado em março do ano passado e se intensificado até novembro. As vítimas relataram comportamentos como piadas de cunho sexual, elogios impróprios ao corpo, convites para encontros pessoais e retaliações após recusas. Entre os episódios, estão comentários como “suas pernas estão grossas, hein” e “você está muito de bem de corpo”, feitos publicamente pelo então comandante. Uma das vítimas, uma major que ocupava a função de coordenadora de Suporte Operacional, afirmou que foi inicialmente convidada por Élson Pereira para compor a equipe. No entanto, passou a ser alvo de assédios frequentes, inclusive diante de colegas civis e militares. Em um dos episódios mais graves, relatou que o comandante a chamava de “meu amor proibido” em público. Uma das soldadas contou que, ao deixar o oficial em casa após uma missão, recebeu convite para entrar e tomar vinho, mesmo estando acompanhada do marido em outro veículo. A major também revelou que o subcomandante da unidade, major Marcelo Souza Lima, tentou minimizar os relatos, sugerindo “tirar do tempo” as denúncias para proteger a imagem do comando. Há ainda acusações de que ele estava presente em algumas ocasiões em que o assédio ocorreu. Diante da gravidade, o Ministério Público determinou o envio do caso à Corregedoria da PM. Em janeiro deste ano, a corporação instaurou uma sindicância e abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), inicialmente com prazo de 30 dias, prorrogável conforme o andamento da apuração. O tenente-coronel Élson Pereira foi exonerado do comando do 24º BPM em 7 de dezembro de 2024. As vítimas estão sendo acompanhadas por psicólogos e especialistas. A advogada Tayanne Correia, que representa as policiais, criticou a cultura de impunidade dentro das instituições militares. “Casos de assédio contra mulheres são comuns nas corporações, e muitas vezes as vítimas acabam sendo culpabilizadas ou investigadas, num processo de revitimização”, afirmou. O caso segue sob apuração interna da Polícia Militar da Bahia e também pelo Ministério Público estadual.




