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Após 13 anos, PMs que mataram o menino Joel no Nordeste vão a júri popular no dia 06 de maio

Foto:  Reprodução

Duas famílias que foram marcadas por infelizes coincidências, hoje depositam suas esperanças no dia 6 de maio. Daqui a 22 dias, um ex-soldado e um tenente da 40ª CIPM, denunciados pela morte do estudante Joel da Conceição Castro, de 10 anos, vão encarar o júri popular. O garoto se preparava para dormir, quando uma bala invadiu o seu quarto e o atingiu na cabeça, há 13 anos no Nordeste de Amaralina. Os PMs deverão se sentar no banco dos réus às 8:00h, no Fórum Ruy Barbosa. Quinze minutos depois do mesmo dia, três policiais da unidade devem ser ouvidos no Fórum de Sussuarana, na última audiência de instrução da morte do auxiliar de serviços gerais, Carlos Alberto Conceição dos Santos Júnior, de 21, primo do menino. Ele foi atingido por disparo de arma de fogo em 2013, na Rua Aurelino Silva, a mesma em que Joel teve a vida ceifada. Amedrontado com os tiros, o pequeno Joel se preparava para dormir, quando foi atingido fatalmente em frente à janela do seu quarto, situada no segundo andar da residência. “Conforme coadunado dos autos, o denunciado Eraldo Menezes de Souza prostrou em frente à residência da vítima, oportunidade em que mirou a arma de fogo em direção à janela, efetuando o disparo responsável pela morte do menino Joel e desespero indefinível de sua família”.

Pai acredita que PMs serão condenados pela morte do filho / Foto: Marina Silva/CORREIO

“A única coisa que eu quero é que a justiça seja feita. Que eles paguem pelo que fizeram com o meu menino, que só queria se proteger na residência dele, mas não conseguiu. Apesar de existir policiais de respeito, naquele momento, aqueles elementos não eram policiais”, disse em prantos, o pai do menino Joel, o segurança e capoeirista Joel de Castro, de 55, o “Mestre Ninha”,. Sobre o tenente Alexinaldo Santana Souza e o ex-soldado Eraldo Menezes de Souza, este último, réu confesso do disparo que atingiu o garoto, além disso, a arma usada por ele foi apontada pela perícia do Departamento de Polícia Técnica (DPT) como a autora do tiro. Na ocasião, Alexinaldo e Eraldo trabalhavam na 40ª CIPM (Nordeste de Amaralina) e foram denunciados pelo Ministério Público do Estado (MPBA) por homicídio qualificado (motivo torpe, emprego de meio que resultou em perigo comum e impossibilidade de defesa do ofendido). O julgamento deles marcado para o dia 6 de maio pode durar até cinco dias, por causa da complexidade e repercussão do caso, segundo fontes do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A responsável por presidi-lo será a juíza Andréa Teixeira Lima Sarmento Netto, do 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri. O representante do MPBA será o promotor Ariomar José Figueiredo da Silva. Segundo o TJBA, “é permitida a entrada de qualquer do povo ao salão onde o julgamento acontecerá, seja o visitante jornalista ou não”. “Contudo, esclarecemos que, durante toda a sessão, no âmbito do salão do júri em que as atividades estiverem sendo realizadas, por determinação do magistrado que preside o júri, não é permitido em hipótese alguma a gravação de sons e imagens, por todo e qualquer dispositivo”, informou o TJBA. Além de Alexinaldo e Eraldo, foram denunciados sete PMs da 40ª CIPM no dia 14 de janeiro de 2011 por crime doloso triplamente qualificado (cometido por motivo torpe, oferecendo perigo comum e impossibilitando a defesa da vítima).

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