Região Sudoeste

Família de Tanque Novo pede ajuda para conseguir internação psiquiátrica de adolescente com autismo e crises agressivas

Foto: Divulgação

A rotina da dona de casa Bianca Borges, moradora da comunidade de Macacos, zona rural de Tanque Novo, no sudoeste baiano, tem sido marcada pelo medo e pela busca incessante por atendimento especializado para a filha adolescente, de 16 anos, diagnosticada com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual e epilepsia. Sem conseguir vaga para internação psiquiátrica, a mãe afirma que a situação da jovem voltou a se agravar nos últimos dias, colocando em risco a própria família. Segundo Bianca, a filha é acompanhada há anos pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município e já passou por uma internação psiquiátrica em Salvador, em 2022, quando permaneceu hospitalizada durante cerca de três meses. Conforme a mãe, o tratamento trouxe melhora significativa na época, mas as crises reapareceram com intensidade nos últimos meses. “Ela saiu calma, saiu bem, mas agora voltou tudo de novo”, contou. A mãe afirma que tem procurado ajuda junto ao SAMU, hospital municipal, CAPS e Secretaria de Saúde, mas até o momento não conseguiu transferência para uma unidade especializada. “Eles falam que não tem vaga por ela ter 16 anos. Já procurei todos os lugares possíveis”, relatou. Na quarta-feira (13), a adolescente voltou a apresentar comportamento agressivo dentro da residência. Segundo Bianca, durante a crise, a jovem tentou agredir familiares e chegou a arremessar um bebê da família. “Graças a Deus não aconteceu algo pior. Ela também tentou agredir minha sogra e minha cunhada. A gente vive assustado”, disse. A mãe contou ainda que precisa esconder objetos dentro de casa e teme pela segurança dos outros filhos. “Eu não durmo direito com medo dela fazer alguma coisa com os irmãos”, afirmou. Relatórios médicos apresentados pela família mostram que a adolescente possui histórico de crises convulsivas, agressividade severa, automutilação e atraso no desenvolvimento neuropsiquiátrico. Os documentos também apontam episódios anteriores de ameaça contra familiares utilizando faca, além de alterações cognitivas importantes relacionadas à prematuridade extrema e hipóxia cerebral no nascimento. Um relatório emitido pelo CAPS de Tanque Novo, assinado pela psiquiatra responsável pelo acompanhamento da paciente, solicita “internação psiquiátrica urgente”. O documento destaca que a adolescente necessita de acompanhamento intensivo devido à gravidade do quadro clínico e comportamental. Além dos episódios de agressividade, Bianca relata que a filha também apresenta comportamento compulsivo, acumulando lixo dentro de casa e destruindo objetos pessoais. Em uma das crises recentes, a jovem queimou as próprias roupas. “Ela colocou tudo no fogo. Não conseguimos impedir”, contou a mãe. Bianca afirma que atualmente enfrenta dificuldades para acompanhar a filha em um eventual tratamento fora da cidade. Segundo ela, além de problemas de saúde, existe também a necessidade de cuidar de um bebê com suspeita de autismo. “Eu só quero tratamento para minha filha. Não quero dinheiro. O que eu quero é que ela seja atendida e fique bem”, declarou. Bianca informou que recebeu retorno da Secretaria Municipal de Saúde comunicando que o nome da adolescente será inserido na regulação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em busca de uma vaga para internação especializada. A mãe informou também que, qualquer profissional, instituição ou autoridade que possa auxiliar no tratamento da adolescente pode entrar em contato pelo WhatsApp: (77) 99960-3878. “Se algum profissional puder me ajudar com tratamento, quero que atenda ela. Não quero dinheiro, eu quero tratamento. Porque não adianta pedir dinheiro se não tem tratamento. Só quero minha filha bem. Tenho esperança de um dia ter aquela amizade de mãe e filha”, finalizou Bianca Borges. A Rádio Portal Sudoeste entrou contato com a Secretaria de saúde do município mas a pasta ainda não se posicionou acerca do assunto.

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